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Wednesday, April 29, 2009

Zarco Azure/ Nova Cena

"Zarco Azure!"
O grito abandona os lábios de Xerlat Bradol, ecoando na caverna e voltando à sua face ofegante e de olhos arregalados.
"Por favor! Paremos com isto, já houve demasiado sangue derramado..."
Ao dizer estas palavras ele dá uma vista de olhos ao seu grupo. As suas caras reflectem as sombras dúbias da caverna mal iluminada, reforçando os contornos do cansaço que alimentaram até ali. Mas ele suspira apenas com a imagem das lâminas, que silenciosas mas vistosas se orgulham do lamento.

Um riso pausado, mecânico até, se se ignorasse o prazer impresso, vem rearfirmar a necessidade de violência, aquencendo os corações dos ouvintes com antecipação.
"Filha da mãe! Ainda goza connosco." Diz Bordag impaciente. Sorve uma golfada de ar antes de dizer em plenos pulmões "Mostra-te Zarco! O que fizemos aos teus cães foi apenas uma brincadeira, vais provar do remédio a sério!"
Xerlat abana a cabeça, farto da violência e, estranhamente agora, da sua ausência. Estava confuso, apenas sabia que queria que acabasse o dia.

O resto da equipa, duas mulheres, uma delas sem qualquer artefacto, e um homem de óculos, estava calado... As suas mentes fervendo nas lembraças da aventura que até ali tinham tido.

Há 9 dias atrás Melztof tinha ouvido falar da chegada de Zarco Azure áquelas bandas. Parecia que a guarda local já se estava a preparar e tudo, para enfrentar a ganância do louco. Ele e o seu Felir andavam a sabotar todas as minas de cristais...

(Lame.)

Wednesday, May 28, 2008

Continuação

Os felires raramente arriscam ser descritivos. A linguagem deles não dá espaço para muita divagação. Podem-se sempre auxiliar da escrita em runas, mas é raro o felir que se aborrece com isso. Normalmente limitam-se a desenhar no ar as runas para os objectos que não conseguem referenciar no momento.
Certamente são a razão da escrita moderna não ter suplantado o uso das runas.

Ouço o chiar de uma porta, atropelado logo de seguida pela multidão de sons e tilintares que normalmente saem de uma casa de jogo. Conto cinco minutos até o ruído ir da forma que veio.
Como Nazgúa não parece minimamente preocupado, deduzo que seja Vadir. Também pelo tempo que se levou a fechar a maldita porta.
"Devias fechar a porta mal sais, não esperar que o façam por ti. Não tens respeito por ninguém."
"Não se trata de respeito, meu amigo. Eu pago para lá estar dentro, e eu pago ao empregado para estar lá dentro. Têm mais é que me fechar a porta quando eu saio. E sinceramente, têm vindo a levar mais tempo."
Nazgúa olha-me curiosamente e depois cumprimenta Vadir com um acenar de cabeça.
"Ele já te contou o plano? Eu também vou. Calha sempre bem um bom passeio! Especialmente quando a companhia é boa."
Esboça uma vénia a Nazgúa que revira os olhos.
Não me resta mais nada a não ser abanar a cabeça e suspirar mais uma vez. Só espero que não apareça mais alguém, preferia ter o mínimo de atenção possível.

Tuesday, May 27, 2008

Capitulo 1

(Antes de começar nisto, quero já dizer que não faço a mínima ideia do que quero desta minha criação, por isso as personagens, localidades e modo de narração pode vir a mudar drasticamente ao longo do tempo, de modo a satisfazer as minhas necessidades.

Por enquanto vai tudo ser narrado por Zarco Azure, apenas porque foi o nome que me pareceu mais adequado para título a esta hora do campeonato. Sem mais a adicionar, começo com a história e acabo com o yapping.)

Só posso estar muito mal... A expressão de Nazgúa, que educadamente me acompanhou até este beco por trás da casa de jogo, confirma-o; um esgar sarcástico e pouco admirado.
Não consigo deixar de suspirar; Nazgúa é provavelmente a felir mais arrogante que conheço.
"Dá para ver que estou preocupado, certo?"
Felizmente os felires calam-se quando consentem.
"Provavelmente também ouviste falar do meu... problema?"
Responde-me com um sonoro, entretido ronronar. Importuno também, visto que despertou em mim um remorso recorrente.

Não devia ter desapontado o velho do Centro de Explorações. Trabalhei lá durante anos, a recolher cristais que já se sabiam onde estavam e a aprender sobre magia que já existia... Hmm... Agora que penso nisso, é curioso que o maior tesouro que encontrei tenha sido achado durante esse meu trabalho e não durante os outros mais liberais.
Bem, eu liberalizei o meu próprio trabalho ao ter levado o colar dali. Contudo, a autoridade não apreciou a brincadeira. Sim, tenho mesmo que aturar a criatura.

Nazgúa olha-me com olhos sonolentos.
"Desculpa, tive um momento nostálgico." Ambos rimos, eu menos confortavelmente, para acrescido prazer da felir. Acena com a cabeça a pedir que continue.
"As minhas chances por aqui estão muito reduzidas."
Nazgúa pisca os olhos lentamente.
"Por isso preciso da tua ajuda para me orientar até Raiur."
O pêlo no corpo felino de Nazgúa eriça-se por um segundo, voltando ao estado normal. Fita-me nos olhos com o seu ar superior e de seguida mira a sua reluzente bracelete.

Sempre achei interessante como é que estes animais, se conseguiram adaptar tanto ao mundo dos humanos. Ao ponto de dependermos deles para certos trabalhos de manutenção. Talvez seja do fascínio dos magos pelos felinos em geral, graciosos, ágeis e espertos e pela peculiar aparência pacífica dos felires, com o seu pêlo comprido e corrido e as suas faces suaves. Mais provavelmente terá sido pela sua facilidade em compreender a linguagem humana e a utilização de artefactos...
Mas fomos nós, os magos, que descobrimos a mana, essa força capaz de ser transmitida entre pessoas e felires e absorvida dos cristais perfeitos, da lua e das correntes de água... A energia que é hoje utilizada através de artefactos para criar a magia que transporta, aquece e arrefece o povo humano.
Ah, sim. E o povo felir.
A bracelete de Nazgúa é especialmente interessante, visto que consegue detectar grandes fluxos de mana e apontar-nos na sua direcção. O que conta muito quando vamos atrás do maior fluxo de todos: Raiur, a Capital. Nem preciso de ver o preço que me está a pedir, qualquer coisa será melhor que ficar por aqui... E não tenho nem o suficiente para comprar uma igual à dela.

Dou por mim com o olhar semi-cerrado da inteligente criatura a pesar na minha mão esquerda. Sabe que é a que uso para transferir a minha mana.
"Detesto que chamem mana a esta coisa." A minha mão brilha, assim que ordeno o artefacto embutido na minha pele para começar a transferência. Ambos fixamos um olhar acostumado, mas nunca satisfeito, na luminescência criada durante o processo de transferência. "Como é que dão o nome do fruto da mitológica arvore da vida a uma coisa que gera tanta ganância e desgraça?"
Nazgúa revira os olhos e abana a cabeça. Lança um suspiro felino e olha obliquamente para a o sítio onde a lua costuma aparecer.
"A lua brilha para todos. Sabes, adoro o teu humor."
Faz uma expressão satisfeita e um tipo de vénia.
Não suporto quando me lê como um livro aberto. Muito menos quando se esforça para o provar. Vê-se que tem andado aborrecida.